Por que é tão difícil empreender no Brasil?

Banco Mundial divulga estudo que mostra as dificuldades de abrir um negócio no país

Empreender no Brasil não é fácil. Essa máxima já é velha conhecida daqueles que se arriscam a abrir um negócio por aqui. Alvo de grande discussão nas comunidades empreendedoras e nos palanques governamentais, o ecossistema de negócios no país é criticado por diversas perspectivas: a burocracia para abrir (e/ou fechar) uma empresa, os impostos, a oferta de crédito, o incentivo a investimentos, entre outros tópicos.

Para somar a essa discussão, o Banco Mundial publicou o Doing Business 2017, um relatório que compara o ambiente de regulação de negócios em 190 países. No ranking geral da facilidade de fazer negócios, o Brasil ficou em 123º lugar. Conheça abaixo alguns dos indicadores que mais contribuíram para esse resultado ruim:

1. Começar um Negócio – posição no ranking: 175

No relatório este tópico é composto pelos seguintes indicadores:

  • Número de procedimentos para abrir um negócio, que consiste em todos os processos que o empreendedor precisa para registrar, obter aprovações e licenças, e inscrição dos colaboradores perante o Estado. Média no Brasil: 11 procedimentos;
  • Número de dias para abrir a empresa, contados até o dia que o negócio tem a última licença para operação. Média no Brasil: 79,5 dias;
  • Custo para abrir a empresa, compreendendo todas as taxas para legalizar o negócio, medido em termos de percentual da receita per capita. Média no Brasil: 5,2% da receita per capita;
  • Capital integralizado mínimo, indica o capital que o empreendedor deve depositar em um banco antes de abrir o negócio. No Brasil: 0.   

2. Pagamento de impostos – posição no ranking: 181

No relatório este tópico é composto pelos seguintes indicadores:

  • Número de pagamentos, indicador que mostra a quantidade de taxas e contribuições pagas. Média no Brasil: 9,6;
  • Tempo gasto para preparar, arquivar e pagar três dos maiores impostos da empresa: imposto de renda, taxa sobre serviço e impostos trabalhistas. Média no Brasil: 2.038 horas por ano;
  • Total de impostos e contribuições de uma empresa, em relação ao seu lucro comercial, no segundo ano de operação. Média no Brasil: 68,4%.

3. Acesso a crédito – posição no ranking: 101

No relatório este tópico é composto pelos seguintes indicadores:

  • Força dos direitos legais, que mede o grau de proteção dos direitos dos credores e devedores, o que facilita o processo de empréstimo. Nota do Brasil: 2 em um total de 12;
  • Extensão das informações de crédito, que mede o grau de cobertura, escopo e acessibilidade a essa modalidade bancária. Nota do Brasil: 7 em 8.

4. Exportação e Importação – posição no ranking: 149

No relatório este tópico é composto pelos seguintes indicadores:

  • Exportação: tempo para retirada dos documentos necessários – média no Brasil: 18 horas; tempo para procedimentos de inspeção – média no Brasil: 49 horas;
  • Importação: tempo para retirada dos documentos necessários – média no Brasil: 120 horas; tempo para procedimentos de inspeção – média no Brasil: 63,1 horas.

Apesar desses resultados aparentemente negativos, o relatório reconhece diversas iniciativas do Brasil em melhorar seus indicadores, principalmente no que se refere à abertura de empresas, com implementação de sistemas online, e  a processos de importação e exportação. Outros indicadores podem ser acessados no site do relatório do Banco Mundial.

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